quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Ao meu amigo P.

A esta hora deves estar a ser pai.
Pensamos muito em ti e na R., para que tenha uma hora curtinha.

Maldizemos a nossa vida, que nos trouxe para longe de vós e nos faz perder este momento que sempre pensei que fosse vivido por nós na entrada do hospital, fosse a que horas fosse, não importava de que dia...
Mas não.

Aguardamos ansiosamente o teu telefonema.

Sei bem que nunca hás-de ler isto porque nesta fase da tua vida nem tens tempo para ti, quanto mais...
Prometo-te que um dia arranjo coragem para te dizer tudo isto pessoalmente, mas como não podia ser hoje... e eu hoje tenho mesmo que deitar isto cá para fora!

Sempre percebi que havia um motivo de força maior para quereres ser pai só depois do dia 20. Por isso te disse, na palhaçada, que agradecia teres pensado em mim, que recebo a 20 e, assim, podia dar brutais prendas à minha "sobrinha".

Quero que saibas que gostamos MUUUUUUUUUIIIIIIIITTTTTTTTOOOOOOO de ti; que te admiramos muito e que de bom grado daríamos uma perna ou um braço para que não estivesses na situação em que estás.

Ser pai e não poder partilhar isso com o pai, no imediato, exaspera-te.
Sempre entendemos isso; nunca te achámos egoísta. Nem nisto, nem em nada.

Tótó, sim.
Porque és tão tótó, preocupas-te tanto com toda a gente, sempre, que só podes ser tótó... Ou isso, ou um calhau com pernas!

Gostamos tanto de vocês. Mas tanto... que nem o sei dizer.

Sabes bem porque discuto com a tua "namorada" às sextas-feiras em que, mal chegados de Lisboa já estamos em vossa casa, sem passar pela "casa da partida"...
... Temos muitas saudades vossas, mas eu não quero pensar que estamos sempre aí (sextas acabados de chegar, sábados à noite a jantar....) e que nem vos permitimos fazer outras coisas e estar com outras pessoas nos fins-de-semana em que aí vamos.

Se me estivesses a ouvir, já estava a levar na cabeça: "Vai à merda", dirias.
Assim. Sem contemplações. E viravas-me as costas.
Depois a R. diria: "olha... é doida". E mandava uma daquelas gargalhadas como só ela sabe.

Só uma pessoa como tu é que se lembraria de nos dizer para dormirmos em vossa casa porque a nossa está fria porque só lá vamos de 15 em 15 dias. E para tomar aí banho porque sim...

Quero que saibas que estamos sempre aqui para ti. Para vocês. Os 3.

A tua "namorada", já tu sabes.

Mas quero que saibas que te admiro muito.

Que tento não te perguntar nada sobre o teu pai porque não quero ser intrometida ou fazer-te as mesmas perguntas que deves ouvir vezes sem conta: "está melhor? como é que está a correr?".
Não quero banalizar... e assim, corro o risco de pensares que me estou a cagar para tudo.
Não estou.
Mas eu - logo eu, já viste? - não te sei mostrar que me preocupo.
Não te sei dizer nada...
Noutras alturas de "crise" já soube, lembraste?
Mas agora não sei...
A impotência face a tudo o que está a acontecer, tão maior que tu, tão maior que nós, oprime-me e cala-me.

Mas quero que saibas...
Que gosto muito de ti e da R.
Que gostava que a vossa felicidade, agora e sempre, fosse completa... ou que pudesse fazer algo para que fosse. Vocês merecem.
Que tenho orgulho em dizer que são os nossos melhores amigos.
Que nunca poderei pagar tudo o que fizeram - e fazem - por nós.
Que a L. há-de ser sempre a nossa "sobrinha querida". Sempre. E sempre é muito tempo.

Acima de tudo, quero que saibas que, apesar de nunca ter passado por nada semelhante, te conheço o suficiente para saber como és e como te deverás estar a sentir.
E queria ter a palavra mágica para te animar, para te fazer rir, e não tenho...
Só tenho a minha amizade silenciosa.
E, por isso, e por estas palavras covardes e pelas lágrimas que me correm pela cara, te peço desculpa...

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6 Comentários:

Blogger Paula disse...

Está quase, está quase...
A L. está aí a chegar!
Tenho a certeza que o teu amigo P., gostaria que lhe perguntasses pelo pai. Como sabes, já passei por algo parecido com a minha mãe e apesar de custar estar sempre a responder às mesmas perguntas, conforta saber que temos alguém que se preocupa conosco e que está lá, para o que der e vier.
E tenho a certeza que o teu amigo, sabe que pode contar sempre com vocês!

P.S. - Vou ter muuuiiiitttaassss saudades tuas... Chuif chuif...
:)
Beijinhos!!!

15 de janeiro de 2009 às 09:14  
Blogger Joana disse...

Dá-me o mail ou a morada do teu amigo, quero tanto que ele leia isto. A sério. Um beijinho

15 de janeiro de 2009 às 11:04  
Blogger caditonuno disse...

ser pai é fantástico! olha que eu sei... e nunca o fui!

o teu amigo ia gostar imenso deste texto!

15 de janeiro de 2009 às 16:27  
Blogger Fractal SMOG disse...

Meus queridos,
obrigada pelas palavras amigas. O objectivo do texto foi mesmo desabafar o que vai cá dentro, tendo eu a certeza que ele não não ler isto.
Por isso, Joana, obrigada pelas palavras. Talvez um dia, lá mais para a frente, quando esta fase tiver tido um final muito feliz - o único final que eu admito que tenha - eu lhe diga para vir ver...

E... a L. ainda não nasceu!

Beijinhos!

16 de janeiro de 2009 às 23:26  
Blogger Tulicreme disse...

Ora então, tens Tuli Challenge lá no blog :)

20 de janeiro de 2009 às 19:14  
Anonymous Anónimo disse...

Charaaammm!!! Afinal li (é o que faz dormir tantas horas como o marcelo)! Com atraso é certo mas ainda assim a tempo de te agradecer as tuas palavras. Também não era preciso dizê-las pois eu entendo bem as msg subliminares.

A vida é assim: padrasta. Mas sem dramas pois dramática é a solidão e essa nunca atacou cá a malta. Não digo que estará melhor pois nisso não creio mas enquanto esteve não faltou o essencial que é a dignidade. A existência foi serena e profícua e essa é a grande herança.

Não deves nada. Ninguém te apresentou a conta (ainda...).

A L. está óptima como sabes. É mais dificil ser filho que pai, pelo menos até ver.
Quanto às prendas para a "sobrinha" desde que não seja a promessa de um Audi aos 17...

Mais uma vez obrigado pela prosa. Sinceramente.
Beijos
P.& R. (que está mesmo aqui ao ladinho) a L. já dorme e um dia há-de ler isto

18 de junho de 2009 às 01:47  

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